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	<title>Princesa News.Com &#187; Coluna do Romero Cardoso</title>
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	<description>Para quem quer ficar informado.</description>
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		<title>Mossoró no Diário de Getúlio Vargas.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 03:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jromeroc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna do Romero Cardoso]]></category>

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		<description><![CDATA[A era Vargas foi a mais longeva experiência político-administrativa do Brasil republicano, cuja gênese encontramos na vitória da revolução em outubro de 1930. O processo foi interrompido em 1945 e reiniciado em 1950, tendo seu epílogo em agosto de 1954, quando do suicídio do chefe do executivo. A centralização enfatizada por Vargas pôs fim à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A era Vargas foi a mais longeva experiência político-administrativa do Brasil republicano, cuja gênese encontramos na vitória da revolução em outubro de 1930. O processo foi interrompido em 1945 e reiniciado em 1950, tendo seu epílogo em agosto de 1954, quando do suicídio do chefe do executivo.</p>
<p>A centralização enfatizada por Vargas pôs fim à fragmentação do poder entre os representantes do mandonismo local, a qual se constituiu em símbolo das estruturas montadas na república velha, conforme enfatiza MELLO (1992).</p>
<p>A partir de 3 de outubro de 1930, quando triunfou o movimento revolucionário encabeçado pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, Vargas deu início à escrita de um diário cujo encerramento se deu em setembro de 1942, quando o Brasil já havia declarado guerra aos países do Eixo.</p>
<p>Este importante documento para a História do Brasil, compilado e publicado em dois volumes no ano de 1995 pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas e pela Editora Siciliano, apresentado por Celina Vargas do Amaral Peixoto, neta do estadista que marcou profundamente os novos rumos do modelo capitalista brasileiro a partir de sua posse no governo provisório em 1930, descortinam-se o dia-a-dia do governante, as relações políticas e os episódios marcantes de uma época.</p>
<p>A pressão exercida por São Paulo, principal centro econômico do País, resultando em tentativa revolucionária quer ficou conhecida pela pretensa defesa de uma constituinte, obrigando o governo federal a reprimir fortemente o movimento, caracterizou os rumos políticos entre os anos de 1932 e 1933.</p>
<p>Conforme BASBAUM (1991, p. 63), a convocação de uma constituinte e a elaboração de uma nova constituição perfaziam o panorama geral do ano de 1933. Neste ensejo, Vargas organiza visita aos Estados das regiões Nordeste e Norte, acompanhado de uma grande comitiva de políticos e jornalistas. O raid político-eleitoral do chefe do governo provisório e sua equipe dura cerca de um mês, sendo concluída em Belém (PA).</p>
<p>Ainda segundo BASBAUM (ibidem);</p>
<p><em>“O entusiasmo com que é  recebido pelas populações do Norte e Nordeste, </em></p>
<p><em>Que o vêem pela primeira vez, mostra apenas o quanto as massas  ainda     </em></p>
<p><em>esperam dele, pois nada ainda haviam obtido. Mas Getúlio acredita  que </em></p>
<p><em>                     aquilo significa – apoio incondicional. Assim acreditam também os futu- </em></p>
<p><em>                     ros deputados que mais tarde o elegerão Presidente da República. </em></p>
<p><em>                     E esse apoio dar-lhe-á a margem necessária para planejar  a  continua- </em></p>
<p><em>                     ção no poder.” </em></p>
<p>Obras importantes para o Nordeste seco, paralisadas após a conclusão do triênio Epitácio Pessoa na presidência da república (1919 – 1921), foram fiscalizadas e muitas inauguradas quando da visita presidencial. A açudagem se constituía em um dos carros-chefe da campanha presidencial encetada pela comitiva comandada por Getúlio Vargas.</p>
<p>Neste ensejo, Vargas faria sua primeira visita a Mossoró. Entre os circunstantes presentes que compunham a comitiva presidencial, encontrava-se assessor do Ministério de Viação e Obras Públicas de nome Orris Barbosa.</p>
<p>Posteriormente, o jornalista Orris Barbosa lançou em 1935, pela Adersen-Editores, do Rio de Janeiro, interessante opúsculo por título “Secca de 32 – Impressões sobre a crise nordestina”, no qual analisa desde as tentativas frustradas de implementação dos reservatórios hídricos no governo Epitácio pessoa, além de outras políticas públicas de suma importância, aos efeitos catastróficos da grande seca que teve início em 1926 com breve intervalo em 1929 e recrudescimento total em 1932, enfatizando ainda a visita presidencial aos estados do Nordeste e do Norte do Brasil.</p>
<p>BARBOSA (p. 112), no capítulo intitulado “No alto sertão”, destaca a marcha batida em direção a Mossoró, frisando que a rodagem que interliga Assú à capital do oeste potiguar era regular. Destaca ainda que só à noite puderam alcançar o maior centro comercial do Rio Grande do Norte, na época, <em>visitando, ainda o porto de Areia Branca, escoadouro natural dos produtos sertanejos</em>. </p>
<p>Antes, em fevereiro de 1930, Mossoró havia sido palco de pregações revolucionárias capitaneadas pela caravana gaúcha liderada por Batista Luzardo. Até então, esta tinha sido a única oportunidade que os aliancistas haviam pregado em território mossoroense os ideais de renovação (ROSADO, 1996).</p>
<p>Na oportunidade, ainda não haviam galgado o poder, cujo feito foi proporcionado pelos desdobramentos trágicos da revolta de Princesa, quando do assassinato do presidente paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, vice-presidente da chapa encabeçada por Vargas no ensejo da disputa presidencial em 1930 (INOJOSA, 1980; RODRIGUES, 1978).</p>
<p>Conforme o Diário de Getúlio Vargas (1995, p. 238), no dia 13 de setembro de 1933 houve a partida da comitiva para Mossoró. A viagem foi feita pela Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte. Antes, houve almoço em São Romão, <em>num mato de oiticicas do sr. F.[Fernando] Pedrosa – vaquejada, visita à usina de algodão e à fábrica de óleo etc. </em></p>
<p>Corroborando o que Orris BARBOSA (ibidem) escreveu em seu clássico livro, Vargas destaca que até Mossoró prosseguiram de automóvel, onde houve recepção festiva, banquete e discursos.</p>
<p>Em edição do dia 31 de agosto de 1933, o jornal mossoroense O Nordeste, de propriedade de J. Martins de Vasconcelos, noticiou em primeira página a excursão presidencial do chefe do governo provisório pelo norte do País.</p>
<p>Destacava este veículo de comunicação que partia da capital federal, no dia 22 de agosto, no “Almirante Jaceguay”, a comitiva de Vargas, da qual faziam parte os ministros José Américo de Almeida e Juarez Távora, General Góes Monteiro, Comandante Américo Pimentel, sub-chefe da Casa Militar, Dr. Valder Sarmanho, da Casa Civil, bem como diversos repórteres representantes de diversos jornais cariocas.</p>
<p>O jornal “O Nordeste” enfatizou ainda que a convite do Interventor potiguar Mário Câmara, Getúlio Vargas visitaria Mossoró, seguindo viagem via Caraúbas, indo, antes, até Porto Franco. Finalizava a matéria jornalística fazendo louvações à campanha da Aliança Liberal e reverenciando a memória de João Pessoa.</p>
<p>Em 18 de setembro “O Nordeste” voltava a destacar com estardalhaço matéria sobre a visita da comitiva de Vargas, desta vez com mais ênfase devido a permanência do chefe do governo provisório a Mossoró.</p>
<p>Às 18 horas do dia 13 de setembro, Getúlio Vargas, acompanhado de vários membros do seu gabinete, integrando também a comitiva o Interventor Mário Câmara, o Dr. Potyguar Fernandes, chefe de Polícia da Capital, além do Dr. Gratuliano de Britto, interventor Federal do Estado da Paraíba, dirigia-se ao palacete da Praça Bento Praxedes, o qual ficou conhecido por Catetinho.</p>
<p>Na oportunidade, grande multidão se concentrou intuindo conhecer de perto o chefe máximo do executivo brasileiro. Conforme ainda “O Nordeste”, <em>duas alas de alunos das escolas da cidade, estendiam-se, com o povo, do Jardim Público, até o lugar do destino, feericamente iluminado, e onde a banda de música “Santa Luzia”, em coreto adrede preparado,</em> executou o hino nacional para o chefe de governo e sua comitiva.</p>
<p>Todas as repartições públicas içaram a Bandeira Nacional, em sinal de extremo respeito à ilustre visita. À noite houve cinema campal na Praça João Pessoa.</p>
<p>O discurso, pronunciado antes do banquete no Palacete da Praça Bento Praxedes, foi realizado pelo Dr. Adalberto Amorim, juiz de Direito da comarca. O magistrado falou em nome das classes conservadoras do município, bem como do comércio local</p>
<p>Em agradecimento, Getúlio Vargas respondeu ao oferecimento do banquete com palavras lisonjeiras a Mossoró, prometendo atender necessidades urgentes, a exemplo da continuação do prolongamento ferroviário, baixa nos transportes do sal e seu aperfeiçoamento e abertura de porto. Concluiu destacando a importância industrial e comercial do município potiguar.</p>
<p>No dia 14 de setembro houve visita de parte da comitiva à salina Jurema, localizada às margens do rio Mossoró. Às 8 horas encerrou-se a visita do chefe do governo provisório. A comitiva partiu em trem especial da Estrada de ferro, até Caraúbas, seguindo para Lucrecia e depois com destino a Sousa (PB), onde inspecionaram as obras do açude de São Gonçalo.</p>
<p>Quando da campanha presidencial em 1950, Vargas retornou a Mossoró. Relembrou fatos da primeira estadia demonstrando impressionante lucidez, como bem nos comprovou Raimundo Soares de Brito, presente ao encontro. Deixou o historiador estupefato ao perguntar por Jonas Gurgel, prefeito de Caraúbas quando da visita como chefe do governo provisório. Era o testemunho impecável da memória excepcional de um homem que marcou significativamente e de forma indelével a História do Brasil.</p>
<p><strong>(*) José Romero Araújo Cardoso – Professor Adjunto do departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Escritor. Especialista em Geografia e em Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: <a href="mailto:romerocardoso@uol.com.br">romerocardoso@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Mas Lampião, minha gente Nessa terra não entrou, por Fabio Alves Valentim</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 12:24:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Mas Lampião, minha gente Nessa terra não entrou Por Fabio Alves Valentim Vinte e sete era o ano Do século vinte então Muitos dizem ser a data Que ocorreu a invasão O dia de santo Antonio Quando chegou Lampião Dizem que o temido Cangaceiro perigoso Deixou-se levar então Por bandido ardiloso O famoso Massilon Que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas Lampião, minha gente<br />
Nessa terra não entrou</p>
<p>Por Fabio Alves Valentim</p>
<p>Vinte e sete era o ano<br />
Do século vinte então<br />
Muitos dizem ser a data<br />
Que ocorreu a invasão<br />
O dia de santo Antonio<br />
Quando chegou Lampião<br />
Dizem que o temido<br />
Cangaceiro perigoso<br />
Deixou-se levar então<br />
Por bandido ardiloso<br />
O famoso Massilon<br />
Que provocou o alvoroço<br />
Lampião não conhecia<br />
A cidade a invadir<br />
E convencido foi<br />
Para Mossoró seguir<br />
Pois o Massilon no papo<br />
Conseguiu persuadir<br />
Ele falou que a cidade<br />
Era rica o bastante<br />
Tinha bancos e comércios<br />
De um valor empolgante<br />
Mas seu espaço geográfico<br />
Sem tamanho alarmante<br />
Inocente Lampião<br />
Na sua conversa caiu<br />
E sem saber o que o esperava<br />
Pra Mossoró já partiu<br />
Saindo de Pernambuco<br />
Chegar aqui conseguiu<br />
Lampião não interpretou<br />
O que Massilon dizia<br />
Viciado em roubar<br />
Só os lucros ele queria<br />
Não pensou que ia entrar<br />
Na terra de Santa Luzia<br />
Lampião quando entendeu<br />
O que estava acontecendo<br />
Os seus olhos no binóculo<br />
Trinta minutos só vendo<br />
Mossoró não era a mesma<br />
Que Massilon foi descrevendo<br />
Percebeu a enrascada<br />
Que havia se metido<br />
E bufando enfurecido<br />
Por causa do ocorrido<br />
Deu ordens que seguissem<br />
O plano já discutido<br />
Neste momento de raiva<br />
O grande rei do sertão<br />
Mandou Massilon entre outros<br />
Pela Alberto Maranhão<br />
Na tresloucada aventura<br />
Nunca vista até então<br />
Lampião enfurecido<br />
Pois Massilon o enganou<br />
Não entrou com o seu bando<br />
Tudo agora planejou<br />
E alem do limite urbano<br />
Do cemitério fitou<br />
Lampião acompanhou<br />
Lá do São Sebastião<br />
A cidade enfrentar<br />
Bandidos com munição<br />
Com força e valentia<br />
Com sangue, com coração<br />
Os cangaceiros tudinho<br />
Cada um ia caindo<br />
Lampião de camarote<br />
Ao massacre assistindo<br />
Vingou-se de Massilon<br />
Viu seu bando se partindo<br />
Mormaço e Bronzeado<br />
Em Mossoró faleceu<br />
Jararaca ao mesmo modo<br />
Seu destino conheceu<br />
Na violência desmedida<br />
A sua morte ocorreu<br />
Lampião do cemitério<br />
Isso tudo enxergou<br />
E de porte de uma mauser<br />
Um disparo ele mandou<br />
O chefe da ferrovia<br />
Era o alvo que errou<br />
Lampião era malvado<br />
Mais burro num era não<br />
Vendo o que já sucedia<br />
Não buscou ocasião<br />
Com os poucos que sobrava<br />
Se mandou pelo sertão<br />
Os caminhos se fechando<br />
Sua vez ia chegá<br />
Juntou sua guarda pessoal<br />
E partiu sem demorá<br />
Com o rabo entre as pernas<br />
Foi parar no Ceará<br />
Essa estória eu to contando<br />
Que um professor me falou<br />
O povo de Mossoró<br />
Cangaceiros enfrentou<br />
Mas Lampião, minha gente<br />
Nessa terra não entrou</p>
<p>Fabio Alves Valentim, Professor de Filosofia, formado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte &#8211; UERN e especializando em<br />
Ética e Filosofia Política.</p>
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		<title>Canudos: Notas sobre uma guerra desumana e cruel</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 12:18:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jromeroc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O estopim que acendeu a guerra de Canudos foi mesquinho e abominável, revelando personalidade doentia e escandalosa de quem perpetrou calúnia hedionda contra os membros da comunidade mística fundada no adusto sertão baiano, cujas características quanto às conquistas humanas impressionam devido ao grau de organização, tendo beneficiado a todos que lá se acomodaram, fugindo da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O estopim que acendeu a guerra de Canudos foi mesquinho e abominável, revelando personalidade doentia e escandalosa de quem perpetrou calúnia hedionda contra os membros da comunidade mística fundada no adusto sertão baiano, cujas características quanto às conquistas humanas impressionam devido ao grau de organização, tendo beneficiado a todos que lá se acomodaram, fugindo da fúria do latifúndio e da prepotência dos senhores de baraço e cutelo que vicejavam de forma proeminente no sertão nordestino daquela época.</p>
<p>Arlindo Leone, juiz de direito de Juazeiro (BA), forjou mentira de que os conselheiristas estavam prestes a invadir a cidade, em razão que não havia sido entregue lote de madeira, comprado e pago regiamente, o qual estava destinado para o término da construção da igreja nova.</p>
<p>Havia antiga rixa entre o magistrado e o líder carismático-religioso de Canudos. Conselheiro, certa vez, tinha passado reprimenda no juiz devido vida pregressa levada por Arlindo Leone, sobretudo com relação ao adultério.</p>
<p>Colocando a população, as autoridades e a imprensa em polvorosa, Leone criou as condições necessárias para a futura destruição do arraial que mudou a vida de muitos excluídos nordestinos, pois abrigava gente de várias procedências, ávida por melhores condições de sobrevivência material e espiritual em um sertão extremamente marcado pela opressão.</p>
<p>A igreja católica, que também não via o Belo Monte com bons olhos, cerrou fileiras nas denúncias contra o “reduto fanático”. Anteriormente, relatório elaborado pelo Frei Monte Marciano, altamente desagradável e cheio de adjetivos caluniosos, profuso na quantidade de violência verbal inaudita contra os habitantes do arraial conselheirista, alimentou ainda mais a raiva nutrida pelo clero contra Antônio Conselheiro e seus seguidores.</p>
<p>A expedição comandada pelo Tenente Pires Ferreira foi ao encontro do povo de Antônio Conselheiro, atacando e sendo rechaçada violentamente com as toscas armas carregadas pelos sertanejos, não obstante o número de mortos ter sido maior entre os seguidores do Bom Jesus Conselheiro. À frente, antes do ataque covarde, devoto carregava a bandeira do Divino, sinal de que vinham em paz, apenas querendo exigir o que lhes era de direito.</p>
<p>Os principais jornais do país começaram a estampar matérias cada vez mais estapafúrdias contra os conselheiristas. Logo foi organizada outra expedição, dessa vez mais forte, comandada pelo Major Febrônio de Brito. Nova derrota militar foi conquistada pelos conselheiristas, sendo que esta resultou na aquisição de certa quantidade de armas e munição para a luta dos agora guerrilheiros do Belo Monte.</p>
<p>Mentiras, calúnias e difamações começaram a ser exponencializadas contra o arraial, agora considerado mais que maldito, pois entre as muitas inverdades divulgadas estava referente que a luta em Canudos estava ligada à tentativa de restituição do regime monárquico.</p>
<p>Apenas uma voz respeitada se levantou contra a histeria coletiva que se formava em torno do caso Canudos. Através de espaço que lhe era reservado na imprensa, Machado de Assis pediu, com profundo humanismo, para que deixassem em paz a gente de Antônio Conselheiro. Por outro lado, artigo inflamado, disfarçado em profunda cientificidade, sobretudo com relação ao quadro natural, era escrito por Euclides da Cunha, intitulado “Nossa Vendéia”.</p>
<p>Indubitavelmente, o artigo de Euclides da Cunha ajudou a inflamar os ânimos exaltados, pois Vendéia foi o último reduto de defesa da monarquia francesa, tendo resistido por anos ao assédio militar que representava a nova ordem na França pós-revolucionária. Euclides da Cunha foi um dos catalisadores da ênfase à necessidade da destruição de Canudos, não obstante depois, no ano de 1902, ter lançado livro-denúncia, por título “Os Sertões: Campanha de Canudos”, o qual peca em pontos essenciais, como o antropológico, tendo lançado difamações e conceitos racistas e maledicentes contra os sertanejos, mas que muito serviu para bradar contra o massacre, bem como para o reconhecimento científico do quadro natural do semiárido nordestino.</p>
<p>Havia pouco que tinha terminado o violento governo de Floriano Peixoto. Entre os ícones da república da espada estava Coronel carniceiro chamado Moreira César, o monstro que havia sufocado as lutas no sul do país com extrema crueldade. A capital catarinense, que antes se chamava Desterro, teve o topônimo mudado para Florianópolis.</p>
<p>A terceira expedição foi confiada a Moreira César. De forma arrogante, o corta-cabeças, como ficou conhecido o famigerado oficial, chegou com sua tropa nas imediações de Canudos, destilando desdém contra os conselheiristas. Logo a guarda católica mostrou que não era de brincadeira, pois comandados por Pajeú, infringiram vergonhosa derrota à expedição que havia propalado com alarde a fácil destruição de Canudos, de forma imediata e fulminante, tendo divulgado na imprensa que não haveria chance alguma para àqueles “lombrosianos” sertanejos, incapazes de fomentar qualquer estratégia de guerra Era essa a errônea e distorcida concepção do homem que era tratado como estrela pelos militares aliados de Floriano Peixoto.</p>
<p>Moreira César subestimou os conselheiristas, pois pensava encontrar raquíticos e desnutridos sertanejos, estereotipados imemorialmente pelos brasileiros da porção mais abastada do país. Na verdade, o povo do Belo Monte era forte e saudável devido às conquistas alcançadas com o trabalho desenvolvido na “terra prometida” estabelecida às margens do rio Vaza-Barris.</p>
<p>Erraram grosseiramente, pois Pajeú e a guarda católica fustigaram a expedição Moreira César de forma impressionante, matando os principais oficiais do Exército Brasileiro e humilhando a república recém-instaurada.</p>
<p>A proporção gigantesca assumida pela guerra contra Canudos se deve em parte ao verdadeiro arsenal que a expedição Moreira César deixou na fuga do que restou da coluna arrogante comandada pelo animal de estimação da república da espada.</p>
<p>Não obstante o governo brasileiro quando da guerra de Canudos ser civil, o poder dos militares era incontestável, pois logo houve pressão de todos os quadrantes para que fosse organizada poderosa coluna militar intuindo destruir Canudos e vingar o massacre da expedição Moreira César.</p>
<p>A opinião da sociedade era quase unânime contra Canudos, recrudescendo os brados de revolta contra a heróica “Tróia Sertaneja”, sendo que um dos cavalos-de-pau foi poderoso canhão withworth 32, trazido com esforço invulgar com o objetivo de causar as mais impressionantes baixas na população do Belo Monte.</p>
<p>A quarta expedição, comandada pelo General Arthur Oscar, levou desvantagem nítida quando dos combates, razão pela qual foi engrossada por uma quinta expedição vinda de todos os Estados brasileiros.</p>
<p>A chegada da participação militar paraense em Canudos demonstrou o grau de decisão do povo do Conselheiro. O beato já tinha morrido, mas, incansáveis, os guerrilheiros continuavam impávidos defendendo o território no qual encontraram sonhada felicidade.</p>
<p>O comando militar paraense não entendeu a razão por que o General Dantas Barreto se encontrava em posição de espera. Foi ordenado fulminante ataque aos “guerreiros do norte” em direção ao arraial bombardeado e dilacerado. Foram recebidos com verdadeira saraivada de balas, pois os conselheiristas, os paraenses não sabiam disso, tinham aberto trincheiras por baixo das casas e de lá se comunicavam e desferiam ataques violentos contra quem ousasse adentrar os domínios sagrados fundados por Antônio Conselheiro.</p>
<p>Euclides da Cunha imortalizou os momentos finais de Canudos, afirmando que não houve rendição, exemplo único em toda história, quando seus últimos defensores foram mortos pela fúria de cinco mil soldados.</p>
<p>Canudos é exemplo de uma sociedade alternativa de grande importância para a história das lutas do povo brasileiro, pois o maior de todos os méritos do Conselheiro foi ter sido responsável pela ênfase à significativa melhoria da qualidade de vida de parcela de um povo que há tempos imemoriais vem sendo tratado pelos intransigentes donos do poder como animais e como sub-raça de quinta, sexta ou sétima categorias.</p>
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		<title>O trucidamento de Jararaca em Mossoró</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 18:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jromeroc</dc:creator>
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		<description><![CDATA[José Leite de Santana era pernambucano de Buíque, nascido no ano de 1901. Antes de entrar para o cangaço servia ao Exército Brasileiro, em Sergipe, quando desertou em razão de ter participado de insurreição militar contra o comando do quartel no qual servia na capital sergipana. No cangaço, devido sua fúria irascível, ganhou o apelido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">José Leite de Santana era pernambucano de Buíque, nascido no ano de 1901. Antes de entrar para o cangaço servia ao Exército Brasileiro, em Sergipe, quando desertou em razão de ter participado de insurreição militar contra o comando do quartel no qual servia na capital sergipana. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">No cangaço, devido sua fúria irascível, ganhou o apelido de Jararaca, mas não era tão perverso como os irmãos Ferreira, pois quando da marcha de lampião intuindo atacar Mossoró, protagonizou ato benevolente na localidade de Cantinho do Feijão, hoje município de Santa Helena (PB). </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Ezequiel Ferreira, irmão mais novo de Virgulino Ferreira da Silva, destacava-se pela pontaria impecável, razão pela qual ganhou o apelido de Ponto-Fino. Foi ele quem matou Raimundo Luiz, subdelegado e fundador da localidade. Depois do assassinato, Lampião arrastou punhal de setenta e cinco centímetros de lâmina para rasgar o ventre da viúva do desditado homem da lei. Queria saber como era a cara do filho de um “macaco” saído das entranhas. Jararaca intercedeu e evitou mais uma barbaridade que seria cometida naturalmente pelo “rei do cangaço”. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">No combate em Mossoró, as colunas comandadas por Sabino Gório e Jararaca tentavam tomar de assalto a residência do prefeito Rodolfo Fernandes, hoje sede da chefia executiva do município, conhecido como Palácio da Resistência. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">O valente prefeito havia mandado empiquetar os principais pontos de defesa com fardos de algodão, inclusive sua residência se encontrava totalmente arrodeada com o principal produto exportado por Mossoró naquela época, vindo de diversos lugares do nordeste semiárido. </span></span></span> </div>
<p><a name="more"></a></p>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Cangaceiro apelidado de Colchete conseguiu gasolina e encheu uma garrafa, fazendo um coquetel molotov para ser arremessado nos fardos de algodão em volta do Palácio de Rodolfo Fernandes. Na parte superior da residência do prefeito postava-se exímio atirador, de nome Manuel Duarte, que logo notou a intenção do famoso bandido do vale do Pajeú. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">O bravo defensor mossoroense esperou momento oportuno, quando Colchete ficou com a cabeça visível o suficiente para que o winchester calibre 44 do homem postado em cima da residência do prefeito detonasse projétil certeiro que esfacelou o crânio do cangaceiro de Lampião. Colchete estertorava devido o estrago causado pela bala da arma de Manuel Duarte, quando outro indômito integrante da trincheira do prefeito pulou a janela de punhal em riste para terminar o serviço, sangrando-o impiedosamente. Imediatamente esse homem que não sabia o significado da palavra medo voltou ao seu posto para continuar o combate. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Jararaca sabia, como todos os cangaceiros, que o código dos bandidos permitia que um companheiro quando era morto àquele que estivesse mais próximo tinha o “direito” de desarvorá-lo, ou seja, retirar armas, munição e tudo de valor que o defunto carregasse. Corajosamente, Jararaca se expôs até demais, intuindo ficar com os pertences de Colchete. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">O mesmo Manuel Duarte que estourou a cabeça do cangaceiro que buscava transformar em churrasco os defensores da trincheira do prefeito escalou novamente seu winchester calibre 44 e pipocou Jararaca pelas costas. O cangaceiro caiu em forma de cruz sobre o companheiro morto. Passaram-se uns dez minutos para que Jararaca recobrasse a consciência devido ao impacto da bala calibre 44 detonado por Manuel Duarte. Este notou que o intrépido bandoleiro havia se mexido, fazendo menção de correr. Novo tiro deflagrado por Manuel Duarte varou a coxa de Jararaca, tornando sua situação periclitante ao máximo, ao extremo dos extremos. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Jararaca conseguiu se arrastar por que Manuel Duarte se deparou com outro cangaceiro atrevido. Dessa vez era Sabino Gório. O tiro deflagrado, o qual buscava a cabeça do homem de confiança de Marcolino Pereira Diniz, arrancou o chapéu do cangaceiro, dando chance a Jararaca para sair da linha de tiro e se proteger. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">O cangaceiro clamou por ajuda, chamando Sabino e Massilon, os quais não lhe deram ouvidos, pois a meta naquele instante era salvar a própria pele. O tiroteio no centro de Mossoró deixou os cangaceiros absolutamente desnorteados, tanto é que na fuga um “cabra” da confiança de Isaías Arruda, conhecido por Bronzeado, foi sair para as bandas do caminho de Upanema (RN), a leste, enquanto o bando tomava a direção de Limoeiro do Norte (CE), a oeste. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Jararaca se arrastou penosamente até chegar aos trilhos da estrada de ferro, sendo preso no dia 14 de junho de 1927. Nesse ínterim, chegava em Mossoró uma volante paraibana, enviada pelo governador João Suassuna. Essa coluna militar era comandada pelo Sargento Clementino Quelé, o famoso “tamanduá vermelho”. O governador norte-riograndense depois presenteou João Suassuna com o punhal de Jararaca, como prova de gratidão pela atitude de enviar socorro à cidade que foi ameaçada pelos bandidos comandados por Lampião. Mais tarde, Lampião e seus sequazes viriam o tamanho da besteira que tinham feito, pois uma coisa eles não sabiam que era a forma como os Lamartine de Faria levavam avante suas vinganças. A audácia dos cangaceiros em tentar atacar Mossoró não ia ficar por isso mesmo. Certa vez Vingt-un Rosado me disse que havia indagado a Juvenal Lamartine sobre o motivo por que tinha mandado matar todos os cangaceiros que haviam sido aprisionados e enviados para responder processo no Rio Grande do Norte. A resposta de Lamartine, segundo Vingt-un, foi curta e grossa: “Mandei matar, mandava de novo e só tenho pena dos que não pude mandar fechar para deixarem de serem cabras safados”. Essa resposta revelou como era o homem que foi responsável também pela morte do cangaceiro Francisco Pereira Dantas, talvez, tudo indica, devido sedução de uma sobrinha de Juvenal Lamartine em Serra Negra, a qual contava quando do defloramento a tenra idade de doze anos. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Na cadeia de Mossoró, Jararaca era assistido por um médico enviado pelo humano prefeito Rodolfo Fernandes, quando chegou um soldado da volante de Quelé exigindo anel de brilhante que o cangaceiro ostentava em um dos dedos. Como o valioso produto de roubo não saia do dedo do bandoleiro, o militar mandou-lhe colocar o membro na cadeira que iria arrancá-lo de punhal, o que não aconteceu graças aos protestos do médico. Na verdade eram feras combatendo feras, não havia distinção em quase nada entre cangaceiros e soldados volantes, tudo era da mesma laia. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sem papas na língua, Jararaca destilava ódio contra a polícia, fazendo denúncias gravíssimas contra oficiais que segundo ele eram corrompidos pelos cangaceiros. Soltou o verbo contra Teóphanes Ferraz Torres, captor de Antônio Silvino e responsável pela diligência que resultou em sério ferimento no tornozelo de Lampião, no ano de 1924. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Jararaca tornou-se atração em Mossoró. Perguntas eram feitas, a exemplo do número de riscos em sua arma, ou seja, se era o total de mortes que ele tinha nas costas. Inúmeras histórias surgiam a cada instante, como a que havia jogado criancinha para cima e aparado-a no punhal. Tudo era desmentido pelo cangaceiro que a cada momento se enrolava ainda mais. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Lauro da Escóssia, famoso jornalista mossoroense, conseguiu proeza impressionante, pois entrevistou demoradamente o cangaceiro, publicando a matéria no jornal “O Mossoroense”. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Nisso, tudo já tinha sido acertado em Natal, pois Juvenal Lamartine de Faria, natural de Serra Negra do Norte (RN), acostumado a conviver com a vida e com a morte nos sertões violentos daquela época, ordenou que a transferência de Jararaca fosse realizada para a capital potiguar. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Avisaram ao bandido que ele seria levado para Natal, quando este reclamou que havia esquecido as alpercatas na cela. O oficial responsável pela condução do preso disse-lhe que não se preocupasse, pois assim que chegassem à capital lhe compraria belo sapato de verniz. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Jararaca entrou inocentemente no veículo dirigido por Homero Couto, sendo acompanhado por diversos militares responsáveis pela sua transferência de Mossoró para Natal. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Tudo acertado, o motorista reclamou de pane no motor, justamente em frente ao cemitério São Sebastião. Jararaca relutou em sair do automóvel, quando um soldado puxou violentamente pela perna baleada. O cangaceiro valeu-se de Nossa Senhora, mas não houve jeito, pois assim que o desditado bandido caiu no solo foi alvejado por verdadeiro festival de coronhadas das armas dos soldados.  </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">A cova de Jararaca já estava aberta, fora do campo sagrado. Quando foram colocá-lo no buraco, notaram que as pernas eram grandes demais, não cabiam na sepultura. Ele ainda estava vivo, mas mesmo assim quebraram-nas a golpes de picareta e o enterraram ainda estertorando, ao lado de Colchete. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Hoje o túmulo de Jararaca é o mais visitado quando do dia de finados em Mossoró. Pessoas vindas de vários lugares vão pagar promessa, pois a crendice popular transformou José Leite de Santana em Santo, talvez em razão do martírio abominável do qual foi vítima, em vista que, não obstante ter sido um criminoso bárbaro, o dever da justiça é garantir sua segurança e fazer com que pague na forma da lei pelos crimes que cometeu.</span></span></span></div>
<p>(*) <a href="mailto:romero.cardoso@gmail.com">José Romero Araújo Cardoso</a>. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.</p>
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		<title>Lampião não entrou em Mossoró.</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 00:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rutembergue</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna do Romero Cardoso]]></category>

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		<description><![CDATA[> Por José Romero Araújo Cardoso.&#160; Viciado em roubar, pilhar, estuprar e assassinar, Virgulino Ferreira da Silva foi facilmente convencido pelo cangaceiro Massilon Benevides Leites para convocar junção de forças dos maiores bandidos sertanejos, intuindo viabilizar a mais tresloucada aventura do banditismo rural sertanejo através de formidável raid dos sertões pernambucanos em direção ao Estado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_Xm5VS1BPhXY/TB1ea6VgRHI/AAAAAAAAAxw/AMJxs-pma-4/s1600/cangaceira.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" qu="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Xm5VS1BPhXY/TB1ea6VgRHI/AAAAAAAAAxw/AMJxs-pma-4/cangaceira.jpg" /></a></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;">
<div style="text-align: center;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="font-size: x-small;">Por </span><a href="mailto:romero.cardoso@gmail.com"><span style="font-size: x-small;">José Romero Araújo Cardoso</span></a><span style="font-size: x-small;">.</span>&nbsp;</span></span></span></div>
<p><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Viciado em roubar, pilhar, estuprar e assassinar, Virgulino Ferreira da Silva foi facilmente convencido pelo cangaceiro Massilon Benevides Leites para convocar junção de forças dos maiores bandidos sertanejos, intuindo viabilizar a mais tresloucada aventura do banditismo rural sertanejo através de formidável raid dos sertões pernambucanos em direção ao Estado do Rio Grande do Norte com o objetivo de assaltar a segunda cidade potiguar. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Massilon Benevides Leite, antigo comboieiro que durante anos fez transportes de mercadorias para Mossoró, confidenciou ao chefe cangaceiro que conhecia cada beco da capital do oeste potiguar, garantindo-lhe que a cidade era extremamente pequena e que possuía agência bancária, casas comerciais, estabelecimentos de exportação e importação, inúmeras fábricas que produziam diversos bens, enfim, era rica ao extremo. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Precisava alguém realmente estar exponencialmente viciada em roubar para acreditar em tal informação de que Mossoró era uma cidade muito pequena, dispondo de tais espacializações geográficas, pois o que foi descrito por Massilon Benevides Leite a Lampião caracteriza espaço urbano sofisticado, sobretudo para àquela época, ano de 1927. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Depois de exaustiva marcha em direção ao Estado do Rio Grande do Norte, marcada pelo uso profuso de violência inaudita, aberrante e abominável, o bando de Lampião chegou às portas de Mossoró. Era o dia 13 de junho de 1927, dedicado ao culto a Santo Antônio. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">O bando atravessou o rio Apodi-Mossoró e quando Lampião pôde visualizar de forma precisa a “cidadezinha pequena” enfatizada por Massilon Benevides Leite, qual não foi a surpresa do chefe supremo do banditismo sertanejo ao constatar que havia sido ludibriado pelo falatório inconsistente e mentiroso do bandoleiro que o convenceu a empreender marcha de mais de quatrocentos quilômetros em direção ao que desconhecia totalmente, pois em sua profissão honrada de almocreve nunca esteve em Mossoró, devido ter concentrado o transporte de algodão e peles principalmente para a Pedra de Delmiro, no Estado de Alagoas. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Lampião virou bicho quando viu a dimensão espacial de Mossoró. Passou mais de meia hora analisando pelo binóculo os prováveis lugares que poderiam estar empiquetados. Concentrou-se com especial atenção na igreja de São Vicente, construída em 1919 pelos retirantes da grande seca que atingiu o semiárido naquele ano. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">O chefe cangaceiro estava com muita raiva por ter sido enganado. Ordenou o inusitado, ou seja, que o bando seguisse pela atual Avenida Alberto Maranhão, justamente em direção aos pontos fortificados. O poder de liderança de Lampião era tão impressionante que os cangaceiros obedeceram sem titubear, sem nenhuma reclamação ou protesto. Agindo assim, talvez o “<em>rei do cangaço</em>” estivesse dando vazão à sua raiva por ter sido novamente traído. </span></span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><a name='more'></a></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Lampião não entrou na cidade, pois seguiu com sua guarda pessoal para o cemitério São Sebastião, onde assistiu de camarote ao combate cerrado que a população de Mossoró e os poucos militares empreenderam intuindo expulsar o atrevido bando que atacava a segunda cidade potiguar. No dia 19 de junho de 1927, no mesmo cemitério São Sebastião onde Lampião ficou protegido do intenso tiroteio, era assassinado um dos mais temidos cangaceiros do nordeste, o qual atendia pelo nome de José Leite de Santana, natural de Buíque (PE), cujo apelido no bando – Jararaca&nbsp;&nbsp;– definiu a periculosidade de sua personalidade transviada. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Do cemitério, Lampião notou que a portinhola da parte superior da estação ferroviária se abria. Era Vicente de Sabóia Filho, administrador da ferrovia, que tentava buscar ângulo de visão para ter melhor noção do que acontecia. Virgulino Ferreira da Silva escalou o brinquedinho fabricado pela indústria alemã Mauser, que havia recebido do Padre Cícero do Juazeiro, um ano antes do ataque a Mossoró, desferindo tiro quase certeiro que prostrou Saboinha em um ataque de apoplexia, não obstante não ter acertado o alvo. A bala do fuzil Mauser passou milímetros da cabeça do líder da trincheira da estrada de ferro. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Lampião era tudo que não prestava e ainda sobrava espaço para mais um pouco de desmantelo, mas não era idiota. Quando viu a coisa ficar extremamente delicada, ordenou retirada vexatória, aglutinando o bando e rumando para o Estado do Ceará, onde contava com malha proto-mafiosa dos coiteiros mais afamados do nordeste. Na verdade, o ataque foi tramado no cariri cearense, nas fazendas do famoso “<em>Coronel</em>” Isaías Arruda. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">O governador potiguar Juvenal Lamartine invocou todas as claúsulas do convênio anti-banditismo assinado no ano de 1922 na capital pernambucana, resultando em verdadeiro desastre para o bando comandado por Lampião através de verdadeira caçada, pois dos cerca de setenta e cinco cangaceiros que atacaram Mossoró no dia 13 de junho de 1927, apenas quatro acompanharam o chefe supremo do banditismo na fuga dramática em direção ao Estado da Bahia. O restante ou estava preso ou foi morto em combate, ou ainda executado friamente, como aconteceu com Jararaca, Mormaço e Bronzeado, assassinados por ordens expressas do vingativo e irascível chefe do executivo potiguar daquela época turbulenta marcada pela violência.</span></span></div>
<p><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">(*) Texto por&nbsp;</span><a href="mailto:romero.cardoso@gmail.com"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">José Romero Araújo Cardoso</span></a><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.</span></p>
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		<title>Carolina de Jesus: Uma grande escritora ainda esquecida.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 01:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rutembergue</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna do Romero Cardoso]]></category>

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		<description><![CDATA[> Carolina de Jesus era negra, favelada, vivia a perambular pelas ruas de São Paulo catando papéis para sua sobrevivência e tinha um hábito, escrever seu dia-a-dia, suas agruras e os seus infortúnios. Certa dia, seus escritos foram descobertos por um jornalista. Admirado com o que Carolina de Jesus escreveu, corrigiu-os e conseguiu a publicação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Carolina de Jesus era negra, favelada, vivia a perambular pelas ruas de São Paulo catando papéis para sua sobrevivência e tinha um hábito, escrever seu dia-a-dia, suas agruras e os seus infortúnios. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Certa dia, seus escritos foram descobertos por um jornalista. Admirado com o que Carolina de Jesus escreveu, corrigiu-os e conseguiu a publicação, resultando em opúsculo por título “<em><span style="color: orange;"><strong>Quarto de despejo</strong></span></em>”. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">O livro tornou-se Best seller quando do lançamento, alçando Carolina de Jesus aos mais altos patamares da fama e da glória e também de uma riqueza que nunca imaginou ter em sua caminhada de desespero até então. Era uma virada de trezentos e sessenta graus na vida da desditada negra e favelada que sobrevivia catando lixo, absolutamente excluída da sociedade hipócrita e intransigente, formada pelos antigos donos do poder que se perpetuaram através da sua descendência, em razão que a rigidez com que a estrutura social brasileira ainda se apresenta reproduz a original com a qual foi montada a formação social, econômica e espacial do país. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Carolina de Jesus tornou-se a principal figura de jornais e revistas, sendo convidada para solenidades, eventos e homenagens por diversas personalidades brasileiras e exteriores. A ex-mendiga que a vida estropiou foi convidada de honra do governo uruguaio, sendo louvada em razão que seu livro teve tradução para o espanhol, bem como em outras línguas. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Carolina não estava preparada para aquela mudança. Manteve a humildade e passou a torrar dinheiro com quem precisava e com quem não precisava, bem como proporcionando festas homéricas, muitas regadas ao libertínio que nunca conseguira atingir devido à sua condição de pária e deserdada em grau exponencial. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">A resposta da sociedade hipócrita, despertada do encanto inicial, passou a enxergar àquela ex-favelada como um estorvo no caminho natural que historicamente e atavicamente seguem os rumos da construção social no Brasil. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Carolina teve a infeliz idéia, para sua época, de querer sair nua no Carnaval A sociedade moralista e hipócrita não perdoou. Era a gota d´água que faltava para que agisse antigo ódio devotada à classe menos favorecida. Exemplo disso temos ainda com o caso de Josué de Castro, pois o motivo da exclusão, pela ditadura militar, do célebre cientista nacional move-se pelos mesmos trilhos que levaram Carolina de Jesus de volta à antiga condição, embora Josué de castro não tenha passado pelos mesmos infortúnios da importante escritora brasileira, infelizmente ainda desconhecida no presente. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Livro raro, difícil de ser encontrado, pois poucas edições foram feitas, “Quarto de Despejo” deve ser lido pelas gerações que não sabem quem foi a autora, sua vida e suas amarguras, sue estrelado e sua decadência. </span></span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-size: medium;"><span style="font-family: Times New Roman;">Carolina de Jesus representa um símbolo da luta pela emancipação feminina e pela ascensão social das classes menos favorecidas, no caso dela desfavorecida em grau absoluto, pois a negra e favelada alcançou sucesso, riqueza e fama de forma incrível, mas vítima da hipocrisia e do escárnio da alta sociedade foi obrigada a retornar ao verdadeiro inferno que vivia antes da publicação de “Quarto de Despejo”, morrendo na mais absoluta miséria que a marcou desde o nascimento.</span></span></span><br />
(*) por&nbsp;<strong>José Romero Araújo Cardoso</strong>. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. </div>
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		<title>Moreno e a vingança implacável de Lampião.</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 05:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rutembergue</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna do Romero Cardoso]]></category>

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		<description><![CDATA[> Mais um exelente texto nos enviado por José Romero Araújo Cardoso, desta vez com uma fascinante história de cangaceiros e coronéis, ocorridos&#160;em terras das redondesas de Princesa. Uma luta marcada pela vingança, poder e coragem. Mais um fato histórico que marca a região nordeste e seus tempos de Cangaço e Coronelismo. Vejamos, atentamente, esta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Mais um exelente texto nos enviado por <strong>José Romero Araújo Cardoso</strong>, desta vez com uma fascinante história de cangaceiros e coronéis, ocorridos&nbsp;em terras das redondesas de Princesa. Uma luta marcada pela vingança, poder e coragem. Mais um fato histórico que marca a região nordeste e seus tempos de Cangaço e Coronelismo.</span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: medium;">Vejamos, atentamente, esta saga contada de uma maneira notória.</span></div>
<p><span style="font-size: medium;"></span><br />
<a name='more'></a></p>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="color: #3d85c6; font-size: x-large;"><strong>Moreno e a vingança implacável de Lampião</strong></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_Xm5VS1BPhXY/S_yu8eQtHSI/AAAAAAAAAv0/mkS0cSXPlXQ/s1600/romero.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 0em; margin-right: 1em;"><img border="0" gu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Xm5VS1BPhXY/S_yu8eQtHSI/AAAAAAAAAv0/mkS0cSXPlXQ/s320/romero.jpg" /></a></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Sebastião Pereira e Silva (Sinhô Pereira) ocupa posição destacada na grande saga do cangaço nordestino, tendo sido um dos seus comandantes. Era neto de Andrelino Pereira, o Barão do Pajeú. Em suas andanças pelo sertão, na vida bandoleira, Sinhô Pereira se comportou como homem honesto e nobre, tendo como meta a vingança de dois parentes, vítimas da violenta luta entre as famílias Pereira e Carvalho, que encharcou de sangue e ódio o vale do Pajeú, desde o ano de 1848. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Sob o comando de Sinhô Pereira, como chefe de cangaço, esteve Joaquim Laurindo de Sousa, cearense nascido m Missão Velha no ano de 1898, que passou a ser conhecido pelo apelido de Moreno, devido a cor da sua pele. Ele se destacou como cabra de confiança do seu chefe, entre tantos que compunham o bando cangaceiro. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Antes de ingressar no cangaço, sob as ordens de Sinhô Pereira, Joaquim Laurindo residiu na fazenda Bom Nome, na comarca de Vila Bela (hoje Serra Talhada, Estado de Pernambuco), de propriedade de João (Janjão) Pereira, irmão de Sinhô Pereira, onde conheceu e fez amizade com muitos cangaceiros, mais tarde seus companheiros na vida bandoleira. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Numa festa no Bom Nome, Joaquim Laurindo conheceu, em meados de 1914, uma moça de nome Luísa Alves Batista, filha do vaqueiro Tomás, misto de agregado e capataz da fazenda Pitombeira, também situada na comarca e Vila Bela, pertencente a Antônio Pereira, filho do Barão do Pajeú e tio de Sinhô Pereira. Havia inimizade entre os dois por causa de divergências corriqueiras. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Desde logo, Joaquim Laurindo começou a namorar a filha do vaqueiro Tomás, contra a vontade do “Coronel” Antônio Pereira, que para ela tinha um outro pretendente ao casamento. Luísa estava decidida a se unir por laço matrimonial ao jovem cearense de Missão Velha, o que de fato aconteceu, acompanhando-o até o fim de sua jornada de infortúnios. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Luísa Alves Batista nasceu no dia 25 de agosto de 1894, na fazenda Pitombeira, onde se criou, possuindo razoável grau de instrução para a época. Como Joaquim Laurindo era analfabeto, ela logo tratou de alfabetizá-lo aos pouco, conseguindo bons resultados. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Apesar da oposição do “Coronel” Antônio Pereira, Luísa e Joaquim Laurindo se casaram em 1916 e foram residir na fazenda de Janjão Pereira, porque nenhum outro proprietário de terras da comarca de Vila Bela ousaria aceitar o casal como seus moradores, para não desagradar o intransigente dono da fazenda Pitombeira. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Logo após o casamento, deu-se o ingresso de Joaquim Laurindo no bando de Sinhô Pereira, pois a fazenda Bom Nome era um dos coitos preferidos pelo grupo. Um outro local de concentração de cangaceiros na comarca de Vila Bela, era a fazenda Abóboras, pertencente ao “Coronel” Marçal Florentino Diniz, mais tarde propriedade do “Coronel” José (Zé) Pereira Lima, genro e cunhado do antecessor. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Então, já com o apelido de Moreno, Joaquim Laurindo serviu lealmente a Sinhô Pereira em seus propósitos cangaceiros. No bando, Moreno conheceu e conviveu com importantes companheiros, entre os quais Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) e seus irmãos. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">A primeira retirada de Sinhô Pereira para o Estado de Goiás ocorreu em dezembro de 1918. Por isto, Moreno decidiu abandonar o cangaço, indo se fixar no Barro (Estado do Ceará), onde não chegou a desfrutar da proteção do “Major” José Inácio de Sousa. Em março de 1920, com o retorno de Sinhô Pereira ao sertão do Pajeú, Moreno voltou à vida cangaceira, nela permanecendo na companhia do seu chefe, até que se largou em definitivo o cangaço e regressou a Goiás, o que se deu no dia 8 de agosto de 1922. Em decorrência disto, o bando passou a ser comandado por Lampião. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Moreno, então, recebeu convites entusiásticos, da parte do novo chefe, para permanecer no cangaço, não os tendo levado em consideração. Tal recusa lhe trouxe a aversão de Lampião. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Depois disso, Moreno e sua família passaram a morar na fazenda Saco dos Caçulas, pertencente a Marcolino Pereira Diniz, situada nas proximidades do povoado Patos de Irerê, no município de Princesa (Estado da Paraíba). Ele logo mereceu a confiança de todos que ali viviam, dedicando-se tão-somente à agricultura e ao pastoreio. Por sua vez, Luísa muito se aproximou da senhora Alexandrina Pereira Lima (Dona Xandu), esposa e sobrinha do “Coronel” Zé Pereira Lima, a ponto de se tornar a sua queijeira preferida. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Na fazenda Saco dos Caçulas, Luísa tratou do calcanhar de Lampião, com ervas medicinais recomendadas pelo doutor Severiano Diniz, após o tiro que o bandido recebeu da volante de Teófanes Ferraz Torres. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Naquela época, o município de Princesa era procurado por cangaceiros de todas as procedências, o que explica os freqüentes encontros de Moreno com os seus antigos companheiros. </span></span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Antônio Augusto Correia (Bagaço e depois Meia-Noite) foi um dos bandidos que compunham o bando de Sinhô Pereira. Durante algum tempo ele se fixou em Patos de Irerê, trabalhando nas moagens dos engenhos de rapadura e aguardente do “Coronel” Marçal Florentino Diniz. De dia era um simples trabalhador nos canaviais e moendas, voltando a ser bandido à noite, quando roubava propriedades rurais de outros municípios, razão do seu segundo apelido. </span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Engajado no bando cangaceiro chefiado por Chico Pereira, Chico Lopes e os irmãos de Lampião (Antônio e Levino Ferreira), Meia-Noite se encontrava entre os cabras que atacaram a cidade de Sousa (Estado da Paraíba), no dia 27 de julho de 1924. Juntamente com o cangaceiro Paizinho, ele cometeu os maiores desatinos contra o juiz de Direito daquela comarca sertaneja. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">De regresso ao município de Princesa, Meia-Noite se casou com uma mulata, Maria Alexandrina Vieira, filha de um morador do Saco dos Caçulas, o que ocorreu sob os protestos do Padre Floro Florentino Diniz. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Perseguido por forças volantes, Meia-Noite e sua esposa se homiziaram no sítio Tataíra, situado em área fronteiriça dos municípios de Princesa e Triunfo (Estado de Pernambuco). Ali, uma tropa de cachimbos contratada pelo “Coronel” Zé Pereira lhes deu cerco numa casa-de-farinha, resultando em intenso tiroteio. Meia-Noite e sua mulher resistiram galhardamente, tendo ele abandonado o refúgio somente quando as forças policiais e civis aquarteladas na serra do Pau Ferrado, comandada pelos Tenentes Manuel Benício, Clementino Quelé e Francisco de Oliveira, se deslocaram para o sítio Tataíra, formando um efetivo de 84 homens cercando o cangaceiro. Este fugiu após ter deflagrado 496 cartuchos de fuzil Mauser DWN, modelo 1912. Maria Alexandrina foi presa e escoltada para a cadeia da cidade de Princesa (Almeida, 1926: 65-67). </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Com muito esforço, ferido gravemente, Meia-Noite conseguiu chegar ao Saco dos Caçulas, onde Luísa Alves Batista o atendeu compadecida, dando-lhe uma cuida d´água. De imediato, o bandido foi transportado para local ermo e afastado da sede da fazenda, onde foi assassinado por um cabra conhecido por Tocha, ou Antônio Lalau, morte ordenada por Manuel Lopes Diniz. Este era inspetor de quarteirão do povoado de Patos de Irerê, sendo homem da inteira confiança de Marcolino Pereira Lima e chefe da guarda pessoal do “Coronel” Zé Pereira Lima.&nbsp;</span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Lampião acusou Moreno de ser cúmplice da morte de Meia-Noite, o que não era verdade. Segundo consta, Moreno apenas acompanhou a esposa do cangaceiro até a cadeia de Princesa, como medida de proteção, pois ela estava em mãos de verdadeiras feras humanas. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Com a experiência adquirida na militância no cangaço, Moreno deve ter pressentido a fúria de vingança implacável que poderia se abater sobre ele, pois bem conhecia a personalidade e a periculosidade de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião). Por isso, tratou logo de se engajar em forças volantes aquarteladas em Princesa, em campanha de combate ao banditismo, forte e ostensivamente organizada pelo governo do Estado da Paraíba, na presidência de João Suassuna (1924-1928). </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Moreno permaneceu como soldado até a eclosão da revolta de Princesa, quando desertou da sua tropa para servir sob o comando dos chefes da sedição. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Comandado por Marcolino Pereira Diniz, ele encontrou na luta armada antigos companheiros do bando de Sinhô Pereira, entre os quais se destacaram os cabras Luís do Triângulo e Chocho. Tornou-se um dos maiores cabos-de-guerra, tendo participado da tomada de Patos de Irerê, pois esta localidade foi invadida por forças legalistas, com o objetivo de transformar em reféns os membros de famílias importantes ali residentes. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Era intenção de tais forças legalistas marchar em direção a Princesa, usando mulheres reféns como escudos humanos. Entre estas se encontrava a senhora Alexandrina (Xandu) Douetts Diniz, esposa de Marcolino Pereira Diniz, acompanhada de outras mulheres de tradicionais famílias de Princesa. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Na luta pela posse de Patos de Irerê, a tropa da Polícia Militar da Paraíba sofreu as maiores baixas, pois foram devastadoras as investidas dos sediciosos, para libertação dos reféns, resultando na derrota dos legalistas, comandados pelo Tenente Raimundo Nonato. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Moreno também participou do cerco ao povoado Tavares, onde se desenrolaram lances trágicos e desumanos. Os revoltosos usaram de todos os artifícios para dizimar a coluna legalista ali aquartelada, ficando oficiais e soldados em condições vexatórias até o final da luta. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Após o assassinato de João Pessoa, ocorrido em 26 de julho de 1930, Moreno perambulou com a família pelos sertões de Pernambuco e Alagoas, indo se fixar no povoado alagoano de Matinha de Água Branca. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Há tempos Lampião estava agindo na área fronteiriça dos Estados de Pernambuco e Alagoas, onde quase conseguiu por as mãos no “Coronel” Zé Pereira Lima, quando este palmilhava o sertão, juntamente com o mestre Abílio da Metralhadora, fugindo da fúria vingadora dos liberais, fanatizados com a vitória da Revolução de 1930. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Ao saber que Moreno estava residindo em sua área de atuação, renasceu o ódio que Lampião tinha pelo antigo companheiro de cangaço. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Na fazenda Croatá, situada nas proximidades de Matinha de Água Branca, propriedade de João Marques Sandes, ligado por laços de parentesco à Baronesa de Água Branca, Moreno viveu aparentemente sossegado, co a sua família, até o dia 13 de fevereiro de 1936. Na fatídica noite daquele dia, Lampião com a sua caterva o aprisionou em sua própria casa. Em seguida, foi amarrado e minuciosamente inquirido em frente a uma fogueira acesa pelo bando. Depois, Moreno foi fuzilado, tendo o serviço sido executado pelo cangaceiro Chumbinho. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Dessa forma, Lampião agia inexoravelmente com os seus desafetos, independentemente de qualquer projeção espacial ou temporal. Como sempre acontecia, sua vingança era implacável e terrível. Para Lampião, apenas a morte pagava uma traição. </span></span></div>
<div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify; text-indent: 27pt;"><span style="mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS';"><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: large;">Em carta datada de 3 de março de 1978, procedente de Lagoa Grande, distrito de Presidente Olegário (Estado de Minas Gerais), dirigida a Luísa Alves Batista, Sinhô Pereira confessa que já não tinha boa vontade com Lampião, devido aos assassinatos de Zé Nogueira e Moreno. A morte de Zé Nogueira foi um episódio hediondo, protagonizado por Lampião e seu irmão Antônio, tendo ocorrido o crime no dia 23 de fevereiro de 1926, na fazenda Serra Vermelha (Serra Talhada – Estado de Pernambuco).</span></span></div>
<p><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Agradecimentos: Agradeço as entrevistas que me concederam Madalena de Sousa, Rita Maria de Sousa e José Laurindo de Sousa, filhos de Joaquim Laurindo de Sousa (Moreno) e Luísa Alves de Sousa. Igualmente agradeço a Hermosa Goes Sitônio, Belarmino Medeios e Zacarias Sitônio, testemunhas oculares dos fatos históricos ocorridos em Princesa, referidos neste estudo, pelas entrevistas a mim concedidas.</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
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<strong><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Bibliografia selecionada</span></strong><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Entrevistas pessoais:</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Medeiros, Belarmino. João Pessoa, 15 de maio de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Sitônio, Hermosa Goes. João Pessoa, 15 de maio de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Sitônio, Zacarias. João Pessoa, 15 de maio de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Sousa, José Laurindo de. João Pessoa, 13 de junho de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Sousa, Madalena de. João Pessoa, 21 de abril de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Sousa, Rita Maria de. João Pessoa, 21 de abril de 1993</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<strong><span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Referência bibliográfica</span></strong><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">Almeida, E. – 1926 – Lampeão &#8211; sua história. Imprensa Official, 130 pp., [6] ests., Parahyba (João Pessoa).</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;"><br />
</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">[1] Publicado no D. O. Leitura – São Paulo, 12 (143) abril de 1994, p. 4.</span><br />
<span style="font-family: Times, &quot;Times New Roman&quot;, serif;">[2] José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professo-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN).</span></p>
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